quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Irene



Logo no lançamento do seu primeiro disco solo, Cavalo, o Rodrigo Amarante deu uma entrevista à Rolling Stone comentando as faixas do álbum. Na ocasião sobre essa canção ele disse mais ou menos assim:


“É sobre a falta, um amor que não se consegue esquecer. Quando digo que já não sei o nome dela, é que ela pode ter se casado e mudado de nome. O nome dela eu sei, é Irene. (...) Para mim, ela representa os amores que tive de largar cada vez que me mudei e inventei coragem de recomeçar na infância - porque na infância eu já amava muito intensamente. A Irene é um amor irrealizado que jamais vai morrer. É um nome que abrange essa mulher, que não precisa ser mulher. Pode ser um lugar, uma memória que ficou e não se apaga.”

Amarante escolheu o nome em homenagem a canções anteriores, como a Irene de Caetano Veloso e quando resolvi a postagem também foi em lembrança dela. Lembrava de minha mãe me explicando a canção e dizendo que Irene era aquela mulher de sorriso aberto, risada gostosa que preenchia o ambiente.

Fiquei com vontade de escutar as risadas e as canções. As segundas pelo menos a gente pode ouvir, vamo?

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

What My Daughter Wore?

Mais que uma rede social o Instagram é um poço de delícias e inspirações. São perfis de moda, ilustrações, projetos, decoração, beleza pura.

É o caso do @What_My_Daughter_Wore, um perfil incrível onde a talentosíssima mãe e ilustradora Jenny Williams desenha os looks dá não menos brilhante filha. Além disso os amigos adolescentes e outros irmãos da garota também entraram na onda e quase que diariamente tem um desenho.

O projeto já tem mais de dois anos de existência e já tem até livro, super recentemente lançado (!!). Ficou curios@? Olha aqui uma prévia:







Quer ver mais? Olha aqui. Ou siga @What_My_Daughter_Wore

domingo, 7 de dezembro de 2014

#Play7 Viver de Chamego


Mais uma vez reunindo aqui uma série de clichês em forma de lindas canções numa playlist. Soa até meio mal falando assim, mas foi feita sob muito suor e amor. É que quando a gente sabe que precisa fazer uma coisa parece que dá pra fazer tudo, menos ela. Ouvi todas as músicas do mundo na última semana, relembrei uma porrada de artista só não os que poderiam caber na proposta que queria para a Play #7 do blog.

Enfim, relembrando umas coisas aqui e ali, fui juntando as peças par alcançar as 13 amadas canções da vez. Misturando novidades, classicões e novas versões, do jeito que eu gosto.

Esse blog tem apenas três anos, mas já possui seus rituais próprios, como a exaustiva repetição de alguns artistas que no dia-a-dia nem costumo ouvir muito. Acho que meu gosto musical assume uma personalidade própria quando se trata de "Viver de Chamego", um alter ego muito bem delimitado, mas dess avez até que foi bastante diferente. Trouxe umas coisas do cotidiano e outras que só conhecia superficialmente e acho que o resultado... Olha... Ficou bem bom (:

Quer relembrar a Play#6? Olha ela aqui!

Viver de Chamego #7 by Maria Eduarda Carvalho on Grooveshark

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Fazendo da tua vida o que teu coração te dá*

por Memorable Quotes

Vamos convencionar aqui que o amor é mais fraternal e que a paixão é aquela coisa que dá tesão. Agora pense você em algo que te dá tesão. Sim, se o caso for sexual, pode ser o sexo. Mas se você é músico, pense na música e nas pessoas cantando suas letras bem alto. Então, quem matou o seu tesão?

“Só acredito no semáforo,
Só acredito no avião.
Eu acredito no relógio, 
Acredito no coração”

Quando decidi que queria tocar ganhei um violão. Era do mais barato, daqueles que você compra em supermercados. Na época entendi que meus pais achavam que era uma coisa passageira.  Sabiam de nada. Um ano depois ganhei o violão que eu escolhi. Depois vieram duas guitarras e uns pedais, que eu mesmo comprei, três ou quatro bandas e tô indo pro segundo disco solo. E quem diria que aquelas revistas cifradas e aquele dedilhado informe de Preta Pretinha iriam me levar a tantas cidades e a conhecer tanta gente bonita e louca?

“Eu sou um pássaro
Que vivo avoando
Vivo avoando
Sem nunca mais parar
Ai Ai! Ai Ai! Saudade
Não venha me matar”

Nunca fiz um estridente sucesso, porque sempre me liguei mais no mundo material e reprimi esse amor. Mas vez ou outra uma pessoa ou outra (entre amigos e desconhecidos) me perguntam sobre as músicas novas. Se eles soubessem como isso me deixa feliz...e o quanto já me salvou.

“Cruzei o país a caminhar
Desenhei nas ruas um amor,
Que já não sei se é real, ou se não existe. 
E se eu sou triste, a causa e você “

Eu tenho lido um tanto sobre Indústria Cultural e tenho percebido que nós, artistas, estamos cada vez mais indústria e menos cultural. Cada vez menos show e mais business. Claro que cada cabeça é mundo com seu próprio jeito de ver o verde. Miro-me no exemplo de Roberto Bolaños. Ele era o Chaves e o Chapolim, dois heróis da infância latino americana, ou apenas o empresário que passou a perna nos amigos? Acho que todo artista deve lembrar que a arte é maior do que ele e que ela move uma série de coisas no mundo, das quais a gente mesmo se aproveita pra compor.

"Vou viver o que o tempo quiser comigo
Vou cantar enquanto tiver amigos, ela vem
Pra ser muito mais que o amor, pra ser mais”

Quantas pessoas do público (como se diz na indústria do entretenimento) já viveram histórias que de tanta força e lirismo metamorfosearam-se em letras de canções? Isso é o mundo ajudando o artista.  Mas como o artista devolve isso pro mundo? No caso da música, naquela linda relação que normalmente arrepia e faz um ogro se emocionar. E música foi feita pela situação, universal, que aconteceu com outra pessoa... “mas, noooossa, como parece que isso foi escrito pra mim!” É essa relação que torna o artista o Harry Potter sem varinhas. Por isso os festivais são como uma Hogwarts (ou a Terra do Nunca).

Give me love
Give me love
Give me peace on earth
Give me light
Give me life
Keep me free from burden
Give me hope
Help me cope, with this heavy load
Trying to, touch and reach you with
heart and soul

Nesse sentido eu constato outra coisa: se as gravações das bandas são sempre superiores aos shows, o que leva você a um festival? Pra mim, quando não estou tocando, amigos, cerveja gelada, e aquela coisa meio clerical de cantar canções que fazem sentido na sua vida, ali, no instante em que elas são executadas, por quem as compôs. É o que Walter Benjamin chamava de Aura da Obra de Arte. A experiência. 

“o que se atrofia na era da reprodutibilidade técnica
da obra de arte é sua aura. Esse processo é sintomático,
e sua significação vai muito além da esfera da arte.”
 (BENJAMIN, Walter)

Como eu sempre fui tímido, tocar violão pra mim era poder falar pro mundo e, confesso, pra chamar a atenção das gurias. Logo eu passei a compor porque as gurias que eu conhecia pediam músicas de artistas que eu não gostava muito (malz aê Jota Quest). Passar a compor não foi fácil, extremamente fácil, mas foi paixão. E foi um amor tão louco que logo me deu vontade de tocar por aí e acabou toquei em muitos lugares pequenos, pra pouca gente e em lugares superlotados. Umas vezes fui bem pago, tanto quando recebi cachê a vista ou a prazo ou até mesmo quando nada recebi, do prometido ou não. 

“Estive em igrejas e estive nos bares
Sempre a procurar
Estive nas lojas de departamentos
Estive nas ondas, estive nas serras.”

Tocar pra mim é como, imagino que deve ser, rezar uma missa. Todos ali ouvindo minha palavra (da salvação) e alguns ainda repetindo de olhos fechados. Isso me arrepia. Não quero perder essa sensação nunca. É a sensação que me faz crer que eu pertenço a este mundo. Acho que deve ser parecido com o que Harry sente quando encontra seus amigos na escola de Hogwarts, ou quando Neo chega à Matrix.

“Esperei o amor vir quebrar as janelas, 
Pra eu, sair daqui.”

De certa forma eu nunca me iludi com a ideia de vender milhões de cópias. Nunca tive aquela ilusão norte-americana de ser o próximo milionário da música. Essa coisa que o capitalismo prega de que todos possuem as mesmas chances, nunca me enganou. Essa coisa do Capital que faz o anonimato subir à cabeça, onde toda banda que já teve música na novela ou clipe na MTV chega. Uns chamam isso de desanimo, eu chamo de trabalhar com a realidade. Porque na real, devem existir poucas pessoas mais animadas do que eu, pra tocar. 

“I said I know it's only rock 'n roll but I like it
I said I know it's only rock'n roll but I like it, like it, yes, I do
Oh, well, I like it, I like it, I like it”

Um intervalo na leitura pra lembrar que, nas poucas aulas de violão que eu pude fazer, o professor sempre insistia em apresentar músicas do Zeca Baleiro:

Você só pensa em grana
Meu amor!
Você só quer saber
Quanto custou a minha roupa
Custou a minha roupa...

Quando eu nasci
Um anjo só baixou
Falou que eu seria
Um executivo
E desde então eu vivo
Com meu banjo
Executando os rocks
Do meu livro
Pisando em falso
Com meus panos quentes
Enquanto você rir
No seu conforto
Enquanto você
Me fala entre dentes
Poeta bom, meu bem!
Poeta morto!...

Espero, que como Hogwarts, sempre haja um trem mágico que me leve até um festival. Porque o mundo material é uma coisa de trouxa mesmo. Eu respeito a posição de outros artistas, mas eu não me envergonho de trabalhar em outras áreas para pagar as minhas contas e fazer da música algo tranquilo. Nada parar o Rock. Me reservo o direito de deletar uns mp3 de artistas que me decepcionaram com suas posições profissionais, mas jamais vou deixar de me arrepiar com música. Jamais deletarei o Belle And Sebastian que me fez ter vontade de tocar violão:

“It's safer not to look around
I can't hide my feelings from you now
There's too much love to go around these days”


*O texto de hoje eu dedico aos loucos que fizeram o Festival Suíça Bahiana 2014. Gente que trabalha de graça pra fazer de uma cidade comum um brinco de ouro perdido no meio de cimento e asfalto. Porque só gente louca seria sã o suficiente pra fazer isso.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Sing Another Fucking Shalala

por Memorable Quotes


Suck It And See é o melhor disco inglês da geração que nasceu nos anos 80. Gente que cresceu ouvindo Oasis, Beatles, Strokes e Queens Of Stone Age. Gente que lendo poesia de John Cooper Clarke aprendeu a entender mais gente. Gente que fez da internet uma morada, na melodia do modem discado, já que ainda não era da geração que já nasceu conectada. Gente do mIrc. Gente que é gente, que bebe com os amigos e passa mal (sem alarde). Gente assim não são apenas rock stars. 

Atenção, muita atenção para o mantra deste texto:


“She's Thunderstorms

Lying on her front
Up against the wall
She's Thunderstorms”


Se você já leu até aqui, saiba que ela é mesmo uma tempestade. Uma tempestade. As relações cheias de tensões são uma tempestade. 

“Cheating heartbeat

Rapid fire”

Pablo do Arrocha resumiria a próxima citação com um singelo “Tô sofrendo”.

“I've been feeling foolish

You should try it
She came and substituted
the peace and quiet
for acrobatic blood, flow, concertina”


É que não é fácil, amigo, quando você encontra aquele tipo de coisa que explode no seu coração, que faz você achar que está ficando louco porque não pensa em mais nada, adeus concentração, olá novamente paixão de 13 anos de idade. Mas vamos lá, quantas horas você trabalha por dia? Quantos amigos seus já casaram com pessoas que não amavam só pra não ficarem sozinhos? Quantas vezes você já pensou que no tempo dos seus pais era mais fácil? Quantos filmes argentinos ou com trilha sonora feitas por vocalistas roqueiros já te deixaram de olhos marejados? É amigo, não é fácil. O pior é que uma paixão dessas, nesse mundo acelerado, é tão raro que você tem de agradecer. Talvez por isso você (abrindo aspas espetaculosas) “se arrasta tanto pra ela”. Talvez por isso ela seja esse furacão tão avassalador. 

E segue o mantra...

“She's Thunderstorms

Lying on her front
Up against the wall
She's Thunderstorms”


Se eu fosse dar um exemplo, e fosse bem honesto, podia ser qualquer exemplo que seria universal. Principalmente se você estivesse naqueles dias da mais pura reviravolta de sentimentos (fossa, pé-na-bunda, namoro de um mês, aniversário de namoro/casamento/relacionamento). Claro que a gente tem que considerar aqui que nessa coisa contemporânea nem sempre as pessoas sentem-se confortáveis pra os relacionamentos. Tem sempre uma dissertação, um curso superior, um concurso pra juíza e uma série de outras variáveis que são mais prioritárias na sua vida.

Mas vamos combinar que esse texto seja pra quem teve, tem ou ainda vai ter entre 19 e 23 anos. Aquela real melhor fase da vida, de quando você já saiu da escola e entrou na faculdade, sendo que agora seu único objetivo de vida é montar um negócio que envolva o seu curso e a internet no meio pra ficar bem rico, largar o seu curso e viajar pelo mundo. Se você não tem um sonho assim, nem que seja por 5 minutos diários, amigo...você está morto. Pare de ler esse texto e vá dormir.

“Hear who's your host
Sounds as if she's pretty close
When the heats starts growing horns
She's Thunderstorms”

Se você continuou até aqui lembrei de outro inglês que li em português dizendo coisas sobre Tempestade e que se encaixam muito bem, por aqui:

“Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;
É astro que norteia a vela errante,
Cujo valor se ignora, lá na altura.”

Voltas e voltas em torno do que? Sim, todas aquelas vezes que você esperou o telefone tocar, e ele não tocou. Quando a mensagem silenciosa chegou, era da operadora de telefonia, ou daquele tio que manda e-mail com teorias direitistas da conspiração todo dia às 5 da manhã. Já tirou as notificações? Não né? Porque sabe se enganar que a outra pessoa vai mandar e-mail às 4 da manhã. Nem se quer consegue aceitar o fato de algo estar errado se ela estiver acordada a esse horário. De pesadelos às farras dignas de ciúme como um bom veneno você prefere acreditar em monstros da saudade que habitam os sonos dos amantes distantes.

“She's been loop the looping
Around my mind
Her motorcycle boots
Give me this kind of acrobatic blood, concertina”

É, todo mundo sabe que não é tão fácil assim. Então um intervalo no mantra dessa coisa que nos faz mais humanos. 

“Cheating heartbeat
Rapid fire” 

Mas já reparou que, provavelmente em média, geralmente o que faz o nosso coração bater mais rápido são as coisas que nos matam, né? E que essas coisas que a gente aprende desde pequenos “Morrer de amor” não pode ser normal né? Tá, normalidade é uma coisa questionável, eu concordo. Mas amizade, é morte. Isso é meio parecido com aquele sentimento bélico do futebol, como se os jogadores fossem soldados numa batalha com militares em lados opostos. Eu prefiro “viver de chamego” do que morrer de amor, não sei você. Mas é que eu tô nessa casa dos 30 anos, que infelizmente não são pra sempre e felizmente já foram bem rodados. É a época em que você passa a ouvir os discos favoritos com fone de ouvido, ou porque já perdeu um pouco da audição ou pra prestar mais atenção aos riffs das guitarras. Voltando ao mantra:

“She's Thunderstorms
Lying on her front
Up against the wall
She's Thunderstorms, in an unusual place
When you feeling far away
She Does what the night does to the day
She's thunderstorms
Lying on her front
Up against the wall
She's thunderstorms
Thunderstorms
Thunderstorms” 

Esse texto de hoje eu não sei porque foi escrito, já que ele parte do pressuposto de que ela é uma tempestade e que isso é bom pra manter você vivo... Por outro lado manter-se vivo, ao meu ver, deveria ser um ato individual. Por via das dúvidas não há conselho certo, se você já passou daquela fase da vida que sabe que escolher é renunciar, mas que às vezes dá certo. A regra é faz o que você quiser e dá o final que quiser pra esse texto.

“Did you ever get the feeling
That these are things she said before?
Her steady hands may well have done the Devil's pedicure”

É bom sempre lembrar que a opção de viver ou de morrer tem que ser sua, mesmo que a constituição e os preceitos religiosos insistam na vida, morrer um pouco todo dia não deve ser tão absurdo assim, desde que você possa voltar pra começar tudo outra vez no outro dia. Como diz o Vanguart: 

“Levo a vida como o vento, frente ao mar como um farol
Vê que o tempo é necessário e que o amor é como sol
Que um dia fecha as portas e noutro dia abre igual
Que a gente possa ver o que não viu até então
Fazendo da tua vida o que teu coração te dá”


Na tempestade, ou no olho do furacão, todo mundo se molha, fica universalmente exposto. E nessas horas a única coisa que eu me perguntaria aos gritos, aos berros, no desespero total seria precisamente:

What
you
waiting 

for?
sing 

another 

fucking 

SHALALALA

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Bordados na Pele III

Acho que desde pequena sou doida por tatuagens. Vivo me segurando pra não sair tatuando tudo o que me vem na telha, mas tem tanta coisa linda que a gente encontra que fica difícil se segurar. Então como alternativa resolvi ir postando aqui todas as ideias lindas de tatuagem que vejo por aí, assim é bom que não sofro calada, né?

Em outras postagens sobre o tema aqui no blog já tem bastante coisa legal, principalmente pra quem gosta das coisas mais fofas, que combinam bem com o clima de chamego do blog. Pessoalmente não sou tão assim (!), gosto de desenhos mais simbólicos e só tenho corações em uma das minhas flechas. Resolvi unir as duas coisas e postar hoje desenhos meigos, mas nem tanto. Olha só:




sábado, 18 de outubro de 2014

Da Fuga

de Federico Garcia Lorca

Foto: Silent Dress* 

Perdi-me muitas vezes pelo mar,
o ouvido cheio de flores recém cortadas,
a língua cheia de amor e de agonia.
Muitas vezes perdi-me pelo mar,
como me perco no coração de alguns meninos.
Não há noite em que, ao dar um beijo,
não sinta o sorriso das pessoas sem rosto,
nem há ninguém que, ao tocar um recém-nascido,
se esqueça das imóveis caveiras de cavalo.
Porque as rosas buscam na frente
uma dura paisagem de osso
e as mãos do homem não têm mais sentido
senão imitar as raízes sob a terra.
Como me perco no coração de alguns meninos,
perdi-me muitas vezes pelo mar.
Ignorante da água vou buscando uma morte de luz que me consuma.

domingo, 12 de outubro de 2014

Videoplaylist #1

Primeiro eu queria falar do clipe novo do Thiago Pethit para Romeo. Aí eu vi que a Lana Del Rey tinha lançado, meses atrás, o clipe de West Coast e eu, tinha me passado e não assistido ainda. Teve também o - não tão novo - lançamento da Banda do Mar e por último Lucas Vasconcellos com um vídeo lindo, lindo.

Não me contive ao me atualizar para a vida e receber tantas boas notícias! E como não dava para escolher m clipe só e destilar todo o meu amor, resolvi fazer um grupão. Uma mini videoplaylist com um pouco do que há de mais maravilhoso nos meus fones de ouvido atualmente. 

Então lá vai! Tentativa #1 do experimento. Quatro clipes viciantes pra serem vistos em looping.

THIAGO PETHIT - ROMEO

Esse vídeo é o mais maravilhoso do ano, sem dúvidas. Estou contando os segundos para o lançamento do Rock'n'roll Sugar Darling, novo álbum do Pethit e só pra dar o gostinho: Oh, Romeo! Com a presença hipnotizante do Lucas Veríssimo.

LANA DEL REY - WEST COAST


Como eu disse, esse clipe da Lana já saiu faz uma cara, mas ainda não tinha visto. Sempre fico besta com os vídeos dessa mulher. O que é isso? Não sei se entro no carro do Romeo ou se pego uma carona com os motoqueiros da Lana, difícil dizer. Depois disso ainda rolou lançamento de Ultraviolence que tem uma direção de fotografia maravilhosa, vale a pena conferir a menção honrosa.

BANDA DO MAR - MAIS NINGUÉM

Pra quê melhor que Mallu e Marcelo juntos? Com direito a dancinha então, ai! Ah, e é bom aproveitar, a Banda do Mar estar em tour pelo Brasil e olha, não há amor que chegue pra definir esse projeto.

LUCAS VASCONCELLOS - O AMOR UMA FRASE POR VEZ
Lucas é um dos grandes amores desse blog, caso antigo desde o Letuce, quando ele lançou álbum solo fiquei sem conseguir ouvir outra coisa por um bom tempo. Todas as músicas aqui mostradas têm letras maravilhosas e no caso do Lucas é incrivelmente assim em todas as canções.

Play it again!

sábado, 11 de outubro de 2014

-

por Vitor Melo
Serge e Jane


'da loucura deste teu riso,
do teu amor impreciso,
do teu olhar indeciso,
do teu espírito narciso,
vos digo: de ti eu preciso!
vou embaralhando,
os nossos cílios,
projetando,
os nossos filhos,
construindo,
os nossos trilhos,
enquanto,
você vai fugindo,
no colapso do tempo,
na delicadeza da saudade,
nos versos que vão escapulindo,
do meu jeito,
menino,
de te contar a verdade!
e por sinal,
me diz qual é o mal,
de te desenhar no meu mapa astral?
de incluir você,
no meu delírio semanal,
de pedir aos céus,
que me tornes vendaval,
pr'eu cair,
pendurado,
em teu varal,
ofertando-lhe trezentos beijos,
como recital..'

se o vento escutasse minhas preces!

Destituída de título.

domingo, 10 de agosto de 2014

72 X Caetano: O início.


É de Caetano Veloso a primeira música que me recordo de ter me apaixonado. A canção, O Leãozinho, até hoje me remete a sábados ensolarados de faxina onde eu poderia escolher uma música em duas ocasiões, ou logo pela manhã quando a sala ainda não estava sendo arrumada ou a tarde depois de casa limpa e banho tomado. Nessas situações circulavam pela minha onda de interesse É O Tchan, Sandy & Junior e outras criancices, mas sobretudo Caetano que pra mim ainda era o jovem da imagem estampada na capa da coletânea (que por acaso se chama 'Minha História').

Mas esse papo já tá qualquer coisa... Voltamos a falar do leão, nascido dia 7 de Agosto que completou recentemente 72 anos. Mais de sete décadas cheia de histórias e canções que em partes construíram minha trajetória também. Por isso, antes tarde do que nunca aqui vai minha singela homenagem dividida em três.


O início

De cara resolvi colocar minhas 24 canções favoritas, tentei não repetir os álbuns, mas ficou difícil devido a exacerbada paixão que guardo por alguns deles. Como quase tudo que circula por esse blog a temática é a de sempre: O amor. Mas como nem só de amor vivem os compositores, então dividi o trampo entre lado A e lado B pra dar espaço também a uma boa música de pé na bunda (e aqui ficou difícil não aproveitar o Cê inteirinho).

Então lá vai, o Amor e seus (b)ônus de acordo com Caetano Veloso.

Lado A:

Lado B:

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

terça-feira, 29 de julho de 2014

Ilustrassom

Coisas que a dona desse blog adora: música e ilustração.
Coisas que a dona desse blog enlouquece quando vê: ilustração baseada em música

Precisa nem dizer do que se trata o "Ilustrassom" né? Um blog de ilustrações com as melhores músicas desenhadas. A dona do blog, Nai, se descreve como "casada com o design e amante da música" quer coisa melhor?

Quer ver qual é o resultado dessa bigamia?







Gostou? Tem mais aqui!

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Textura de areia, calor de UVA e gosto de sal

por G.C



É inverno, mas aqui os nativos comemoram sua localização privilegiada nos trópicos, o céu está limpo e o dia claro. Claro e convidativo a todos os desejos da canção. Ando mais alguns metros e já te avisto, sentada sobre a canga estirada na areia.

Me aproximo e você sorri, em poucos segundos já está pendurada em meu pescoço. A boca gelada contrasta com o corpo quente, choque térmico, um beijo com sabor de coque elétrico. A maciez da pele em algumas partes do corpo cede lugar para a textura da areia e os cabelos já molhados, deixam escorrer pequenos fios de água, um minúsculo rio entre suas costas qual atrapalho o curso com a palma das mãos.

Você volta ao tecido estirado, toma mais um gole da cerveja, rapidamente cumprimento outros e parto na direção do mar, mas o pensamento fica. Os olhos fitam a imensidão do azul, mas na cabeça a figura da sua pele marrom, do ouro sol e da mistura bronze que se origina dessa relação. As ondas atingem meus pés, vão e voltam algumas vezes em seu próprio ritmo descoordenado.

Você me lê a cabeça, se aproxima e de repente beija o meu ombro, não diz nada, acaricia minha pele e o toque é mais quente que os raios UVA. Eu te pego pelo braço e a partir daí passamos a construir as memórias mais frescas daquele dia. Seu corpo desaparecendo no azul, seu sorriso entre a espuma do mar, suas mãos no rosto ao emergir de um mergulho, o gosto do sal na sua pele.

Foi só mais um final de semana na sua vida, na minha, na longa existência do oceano, mas por um momento formamos os três a perfeita simetria. O suficiente pra eu guardar como um registro, um fragmento que define o que é amor.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Tudo que é vivo morre: Romance d'a Pedra do Reino

O jovem Ariano


Ave Musa incandescente
do deserto do Sertão!
Forje, no Sol do meu Sangue,
o Trono do meu clarão:
cante as Pedras encantadas
e a Catedral Soterrada,
Castelo deste meu Chão!

Nobres Damas e Senhores
ouçam meu Canto espantoso:
a doida Desaventura
de Sinésio, O Alumioso,
o Cetro e sua centelha
na Bandeira aurivermelha
do meu Sonho perigoso!

 Ariano Suassuna.

Esse mês tem sido difícil para a literatura e pra minha história com ela também. Lembro que lá no ensino fundamental Rubem Alves me aproximou das crônicas e por consequência do Jornalismo. Não vou saber explicar a conexão exata, só sei que foi assim.

Alguns anos antes Ariano já tinha entrado na minha vida, tinha e não tinha. Assistia ao Auto da Compadecida, que pelo menos na minha memória, foi tradicionalmente o filme do dia 1º de Janeiro durante alguns anos. Na minha infância a presença do filme, o aniversário de minha mãe e o baba de saia jogado por meu tio faziam dessa data a mais divertida do ano.

Somente anos mais tarde já no ensino médio que tive contato com o livro de fato. Uma das coisas que o acaso fez esbarrar em mim na pequena biblioteca do Cefet.

Por essas e por outras Julho é triste, frio e não sabe se chove ou se chora em silêncio. Mas seguimos no mundo onde tudo o que é vivo, morre.

Dê Menor Importância! (ou Assimile as cores desta canção)

por Memorable Quotes

"Não me ame tanto
Eu tenho algum problema com amor demais
Eu jogo tudo no lixo sempre"



São 4 horas da manhã e você não consegue dormir. Não há informação alguma. O pensamento viaja por todas as possibilidades. Sono já não existe mais. Onde estão os filmes monótonos? Vem o suor, a cabeça roda, ouve o som imaginário na casa do vizinho. Por onde andará? O que estará fazendo agora? Pensando em que? As perguntas são mesmo essas? Doente. Disseram que você está e você não acreditou. Doente é como você se sentirá em instantes, se cair na real. Mas qual é a real de tudo isso? Existe uma estratégia pra resolver? Aqui vem a minha opinião: não pense! Paul já disse "live and let die". Lembre do acaso e do seu poder. Fique firme. Seja livre e aberto pra algum raio de sol que está vagando por aí e você ainda nem sabe. Qual é mesmo a capital daHungria? Faz frio nas Filipinas? Quantas suecas você já beijou? Vaasssto mundo!

“There's a bluebird in my heart that
wants to get out
but I'm too tough for him,
I say, stay in there, I'm not going
to let anybody see you.”*



Quando o seu pai morreu um amigo disse: está doendo agora e vai doer ainda mais, mas você vai sobreviver. No dia que esse amigo disse isso você nem percebeu que a vida toda é mesmo assim. Aprenda a lidar melhor com as perdas e às vezes desista! Lembre que um dia você já foi a pessoa que, de uma hora pra outra, deu um fora em alguém que, também de uma hora pra outra, virou grudenta.

"Ficou um papo de otário, um papo
É tão difícil, tão simples
De repente ser uma coisa tão grande
Ia sendo bom
Difícil, tão fácil
De repente ser uma coisa
Tão grande
Da maior importância"

Mas, voltando ao começo, já que passamos essas últimas linhas e você ainda não esqueceu: Correu a madrugada insone e veio o outro dia. Alguma informação ainda não apareceu e nem adianta pular a fogueira, por mais seguro que você ache. Sabe aquela futucada na ferida? Desista! Não, isso não é um discurso pessimista. É real. Guarde um pouco da sua dignidade pra você mesmo. E sim, existem histórias especiais que valem uma vida. Ou pelo menos a gente acha que vale. Também existem sintonias. Mas saiba que existem interferências. Lembre do caos sem perder a efemeridade de vista. E você não tem nada haver com isso.

"Há de haver um jeito qualquer, uma hora!
Há sempre um homem
Para uma mulher
Há dez mulheres para cada um
Uma mulher é sempre uma mulher etc. e tal"

Vou te contar um segredo: ela nem se importava tanto assim. Então pra que tanto querer? Vai ser uma dureza, mas vai passar. E você vai viver pra mais coisas. E pra outras coisas. Reclame do clichê com a vida, não com o cantor.

"E se na vida tudo não valer
Eu vou procurar você
Pra dizer que não deu certo
Não bonito nem correto
Mas que a vida é mesmo assim
Assimile as cores desta canção"

Leve as coisas menos a sério. De forma leve. E na dúvida? Nunca se esqueça: Durma!

*"Há um pássaro azul em meu peito
 que quer sair
 mas sou duro demais com ele, 
eu digo, fique aí, 
não deixarei que ninguém o veja."

Agora são 9 da manhã. O seu celular acaba de vibrar...

domingo, 20 de julho de 2014

Sobre Montaigne e Amizade

“O amor é o desejo de alcançar a amizade de uma pessoa que nos atrai pela beleza” Montaigne

Iggy Pop e Debbie Harry


O escritor francês Michel Eyquem de Montaigne tinha o hábito de reler seus ensaios e republicar os livros com suas ideias comentadas e/ou reescritas. Essa era uma forma de renovar os ares de seu trabalho, manter os ideais atuais, a mente alinhada com seus frutos.

Em um de seus escritos Montaigne fez uma dedicatória ao amigo La Boétie, filósofo também francês que morreu jovem.  Em uma das citadas republicações, o escritor resolveu ampliar a dedicatória que dizia, simplesmente, "ao amigo La Boétie" e acrescentou: "Parce que c'etait lui" (Porque era ele). 

Em uma nova releitura, anos mais tarde, o autor adicionou ao lado da página: "Parce que c'etait moi" (Porque era eu). 

Outro tempo depois depois, ainda sobre a amizade com La Boétie, Montaigne disse: 

“Na amizade a que me refiro, as almas entrosam-se e se confundem numa única alma, tão unidas uma à outra que não se distinguem, não se lhes percebendo sequer a linha de demarcação. Se insistirem para que eu diga por que o amava, sinto que não o saberia expressar senão respondendo:porque era ele, porque era eu.”

Aos amigos que assim receberam esse título pela simples equação: "Porque era el@, porque era eu".

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Apenas o Fim

por Memorable Quotes

''- Você vê filmes demais. Vai acabar me amando pra sempre.''



''- Você é uma fraude, sabia? Uma fraude!

Bem bonitinha, mas uma fraude.''

''- Você me ama?

- Falar sobre amor é clichê.

- Falar que falar sobre amor é clichê é que é clichê.''

Esse texto vem todo recheado por citações de um filme chamado Apenas o Fim e de outras tantas aleatórias, que algum especialista em qualquer área (galera chata essa dos especialistas) diria ser outside. Ou seja, uma mistureba. Mas me diga você moça ou rapaz se, bem lá no fundo, o aleatório ou o shuffle do seu player de música, eles não fazem parte do melhor desse mundo? Ah… Aquele friozinho na barriga que nem só os apaixonados sentem, mas que vem das músicas do Belle & Sebastian:

“Colour my life with the chaos of trouble

Cause anything's better than posh isolation”

Nietzsche e suas linhas sobre o que Zaratrusta falava nos ensina que o espírito do homem passa por 3 transformações. A primeira é o camelo, que sai pelo deserto carregado de água; a segunda o leão, aquela coisa toda de quando você acha que está disposto a enfrentar um dragão pelo que você acredita ser a sua luta principal; a terceira transformação é de leão em criança. E o que é a criança se não a criatura mais esperta, sem medos e sem noias? A criança é a transformação final porque o homem está disposto a começar do zero e ser um camelo mais esperto ou não, depois de tanta surra do dragão. Aí eu pergunto pra você que está lendo essa leitura filosófica superficial que eu fiz aqui: O que é o fim? O recomeço ou o caminho pro re-fim?

''- Se você ficasse eu faria de tudo

para eliminar todos os meus defeitos,

mesmo não sabendo direito quais são.''

Aí vem Lacan em seus estudos e diz que não existe a proporção sexual. Ou seja, vamos esquecer aquela coisa de regra de os opostos que se atraem e vivem felizes para sempre. Ou você realmente me apresente algum roqueiro que se apaixonou por alguma fã de Luan Santana. Opa, pera aí, isso já aconteceu que eu sei… Mas vamos lá, não é só o gosto musical que define alguém. A música é uma coisa da boca pra fora, de como você se mostra pro mundo, mas numa perspectiva do que você quer mostrar. Claro que há gente que usa aqueles clichês de “filosofia de vida”, que não convém discutir por aqui. Talvez a definição que mais diz de você numa relação é: a vontade de estar com o outro e a vontade de estar só com você. De ser você sozinho, às vezes.

''- A gente se perdeu no momento em que a gente se encontrou.''

Não é questão de ser um problema de alguém, não vá se perder por aí. É bem mais que isso. São tantas galáxias por aí, o mundo de cada um é um universo infinito ou mesmo um planeta. Algumas vezes a gravidade faz as suas brincadeiras e coloca na mesma translação, pelo tempo que durar, dois planetas. Mas sim pessoal, isso é fadado ao fracasso. Lembra daquela coisa da matemática de que duas retas paralelas se encontram no infinito? O professor não ensinou essa parte, mas às vezes é por puro tédio. Mas vamos falar dos 50% que pode dar certo. Talvez resida aqui aquele exemplo do roqueiro e da fã do Luan, que pode ser fã do Chico Buarque. E pasmem, os dois podem gostar da mesma música do Los Hermanos. Aí eu lembro até do Marcelo Camelo cantando as Quatro Estações com a Sandy. Essa é a parte otimista do texto onde eu digo que pode dar certo e que há uma ligação que não precisa ser entendida. Então pare de tantas perguntas e vá a luta. Me diga quantas combinações gravitacionais você acha que existem? Quantos sistemas em torno de estrelas como o Sol existem por aí harmonizando tanto as diferenças? Se você realmente tiver essa resposta eu vou chamar você de louco e dizer que de amor você nunca vai entender. Porque Belchior já disse: 

“Viver é melhor que sonhar

Eu sei que o amor

É uma coisa boa

Mas também sei

Que qualquer canto

É menor do que a vida

De qualquer pessoa”


“Quer dizer, a vida é muito pior” 

Eu diria, que não dizer o que pensa já é pensar em dizer, porque a próxima citação desse texto é de um filme do Godard e eu acho que as músicas do Amarante combinam mais com Godard. Só pra falar da quantidade infinita de possibilidades que existem nessa vida. Mas eu ainda sou um otimista que acredita do acaso. Se terminou é por que algo estava pesando pra um lado ou pros dois. Veja você se não é assim em Acossado, naquela cena do quarto de hotel:

ELE: Por que não dorme comigo?

ELA: Porque quero saber… Há qualquer coisa em você que eu amo, mas não sei o quê. Quero que sejamos como Romeu e Julieta.

ELE: lsso são mesmo ideias de mulher!

ELA: Está vendo! No carro disse que não podia viver sem mim. Afinal pode! O Romeu não podia viver sem a Julieta, mas você pode.

ELE: Não, não posso viver sem você.

ELA: lsso é mesmo de rapaz!

ELE: Sorri para mim. Vou contar até oito. Se até lá não sorrir, te esgano. Dois. Três. Quatro, cinco, seis. Sete. Sete e meio. Sete e três quartos... É tão covarde, aposto que sorri.

ELA: Não estou para essas brincadeiras hoje.


Eu diria por último, para você conversar com você mesmo. Isso te faz feliz? Isso te faz realmente feliz? E aqueles momentos em que você já não aguentava mais? Esqueceu deles foi? Ou você realmente está vendo as coisas de outra forma? Esse novo você te incomoda? Certeza que não? Saiba de uma coisa, não adianta postar esse texto no mural do seu Facebook, a pessoa não vai saber que é para ela. E pior, se nem Facebook existir vai ser pior ainda. A melhor reforma que você faz é dentro de você mesmo. Lembre das três transformações do homem mas não pelos outros, por si mesmo. O seu melhor tem que ser o melhor pra você. Nenhum texto vai terminar o seu fim. Respire um pouco por aparelhos e lembre sempre que o maior ensinamento beatnik diz: o importante é ir...

“Nossa bagagem maltratada fora empilhada na calçada novamente; 

nós tínhamos mais caminhos para percorrer. 

Mas não importa, a estrada é a vida.”


Ou pense um pouco nos futuros amantes de Chico:

“O amor não tem pressa

Ele pode esperar em silêncio” 

Mas se nada mais fizer sentido, volte para “Apenas O Fim”:

''- Isso é só o fim. O que importa já foi feito.

- E agora? Agora é o resto das nossas vidas.''

Ou sinta aquela pequena alegria como nas letras do Amarante e saiba que o caminho é o fim mais que chegar. 

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Conte comigo

Acordei hoje sentindo que uma intervenção ia pintar por aqui. Acabou que o dia foi passando e nada de uma ideia, um pensamento solto, nada, nada. Aí agorinha estava ali no Facebook e uma dos contatos compartilhou um texto do Ivan Martins, sim, ele, nosso referencial de amor facinho.

Nos comentários da postagem amiga uma troca de "Conte comigo" me motivou, mas já estou indo muito adiante... Voltemos. O texto é inspirado em um poema do Mário Benedetti chamado Façamos um Trato. Dito isso, seguem as instruções. 


Você já percebeu onde estou querendo chegar? Sim, é isso, hora de assumir responsabilidade pelos que a gente ama. 

3. Escreva no mural., no inbox, no whatsapp, no email, ligue, visite, mas diga. Diga para ele ou para ela, ou para ele e ela que eles podem contar com você. Para o quê? Ah, não importa, escolha uma ação para se colocar disponível e diga: Conte comigo.

Se quiser pode ir com o poema do Benedetti, ou com essa imagem aqui embaixo, que é pra deixar claro e em letras garrafais.

C O N T E C O M I G O.



segunda-feira, 7 de julho de 2014

Da internet para as ruas


A página do Viver de Chamego volta e meia tem uma imagem bacana, diferente. São as maravilhas que nos deparamos no universo virtual e que valem a pena compartilhar. 
Mas e se desse pra dividir essas delícias com mais gente? Uma seleção de quatorze frases que figuraram essas reproduções virtuais ganharam o espaço urbano de Vitória da Conquista. Espalhadas entre as ruas são pequenos lembretes de como a vida de vez em quando merece uma pitada se surpresa, afinal:

A rotina é a renuncia do pensamento.

Se você encontrá-las por aí fotografe, re-reproduza. Use a #ViverdeChamego (ou não), mande para alguém especial. Procure outras imagens por perto, elas estão quase que dispostas em um só caminho. Mas como nem todo mundo passa por essas bandas, aqui vai alguns fragmentos dessas frases em seus devidos cantos.












sábado, 5 de julho de 2014

Vida de Guerrilheiro

por Clara Charf*

O guerrilheiro.
O que facilitava é que eu vivia com o Marighella, que era uma pessoa maravilhosa, humanista. Dividíamos todas as tarefas da casa. Logo ficou combinado que ele ficaria com as coisas mais pesadas. Ele adorava mexer com água, então, lavava o chão, lavava roupa. E eu passava. Até que um dia ele saiu e, quando voltou, eu estava passando roupa. Ele olhou, deu uma volta e falou: “Vamos combinar uma coisa. Não passe enquanto eu não estiver em casa”. Eu disse: “Por que, se você não sabe passar?”. Ele respondeu: “É que, quando você for passar, vou ficar ao lado, lendo para você”.

Em tempos de guerra ou calmaria o que acaba importando são as pequenas doses de afeto. Mesmo nas situações que parecem impossíveis as coisas tomam seu rumo, o rumo certo.

*Link da postagem original, Clara fala em entrevista a TPM.




quarta-feira, 2 de julho de 2014

#IntervençõesdeChamego Um Livro Afora

Eu vivo tendo ideias para o blog, algumas bem boas, outras nem tanto... Mas acabo sucumbindo a minha preguiça fatal ou até mesmo outras obrigações que surgem. Mas dessa vez eu resolvi mudar um pouco isso, claro que não sem certa langanhice (essa postagem, por exemplo, deveria ter rolado ontem).

Então, tenho pensado já faz um tempo em algumas intervenções, interações entre o real e o virtual que pudessem movimentar um pouco as coisas por aqui. Já tenho algumas ideias em mente e conto com outras que virão no decorrer do processo.

Comecei com uma coisa que queria muito fazer já tem um certo tempo. Presentear alguém com um livro. Mas não qualquer alguém, alguém que eu não conheça, assim, de surpresa. Existe um projeto na internet bem legal que estimula isso, não achei o link agora, mas tenho plena consciência de que estou imitando alguém. Mas as boas ideias merecem ser estimuladas, multiplicadas, claro que com os devidos créditos (mil perdões).



 Escolhi um exemplar de Doze Contos Peregrinos do Gabriel Garcia Marquez, escrevi uma breve dedicatória, coloquei na bolsa e parti. A escolha do livro não foi fácil, tenta só desapegar de um de seus livros, é bem complexo. Também não queria dar qualquer coisa porque se não a brincadeira não teria graça. Então lá fui eu e um livro do Gabo comigo já tem mais ou menos quatro anos, pronto para ser amado por outro alguém.



A escolha do local foi difícil. Dei umas voltas no centro, pensei em pegar um ônibus, mas estava com a câmera e precisava ser um local onde ninguém atrapalhasse meus planos gritando: "Moça! Moça! Você esqueceu seu livro". Rodei, rodei e acabei voltando para a praça aqui perto de casa, uns casais em um canto, umas crianças jogando bola em outro, ninguém muito ligando pra doida fotografando o livro em cima do banco. Na saída notei uma mulher se aproximando, para não correr o risco saí de fininho sem olhar pra trás.



Não sei quem ganhou meu presente, não sei se o livro vai ser lido, mas espero que sim, gosto de pensar no quanto a vida de alguém pode ficar um pouquinho mais gostosa ao lado dessa boa companhia. E se você, por acaso, recebeu o mimo e veio até aqui, se manifeste e como eu já disse na dedicatória, passe a ideia adiante.

A próxima ideia já passou pela cabeça, logo logo conto aqui. 

segunda-feira, 2 de junho de 2014

O que é o amor?

Acho que todo mundo já ouviu algumas definições de amor ao longo da vida. Amar é... O amor é... Quando você ama... A maioria é bem bonita na teoria mas não tem nada a ver com a prática. A final, o amor não tem fórmula, receita, nem tuorial no Youtube.

Então mesmo eu tendo minhas ressalvas quanto a Bukowski e quanto a definições de amor venho aqui compartilhar esse vídeo. Por que? Porque hoje pra mim o amor é uma névoa que queima com a primeira luz de realidade.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Patti Smith: Advice to the Young


De todos os os conselhos que essa geração poderia receber e de todas as pessoas que poderiam dar esses conselhos acho que essa foi a escolha mais acertada. Patti Smith é um símbolo do momento em que as coisas começaram a mudar e de como aproveitar esse momento e deixar transbordar o que você realmente é.

A entrevista em questão aconteceu no Museu de Arte Moderna de Lousiania durante o festival local de literatura. Acho que as centenas de jovens na plateia tiveram uma emoção semelhante a minha quando assisti pela primeira vez, uma sensação de luz no fim do túnel, ou de ajuda com algo que nunca foi testado antes. Um dos breves momentos onde alguém fala "coisa com coisa" e consegue te dar uma mínima orientação.

Tentei transcrever o texto para que pudesse chegar a mais pessoas, então perdoem os erros e tenham fé na boa ação.

Um escritor ou qualquer outro artista não pode esperar ser acolhido pelo público. Sabe, eu gravei álbuns e pareceu que ninguém os ouviu. Você escreve livros de poesia que talvez, cinquenta pessoas leem e você simplesmente continua fazendo o seu trabalho porque você tem que fazer, porque é o seu chamado. Mas é bonito ser acolhido pelo público. Algumas pessoas me dizem, sabe como é, "Você não acha que alguns tipos de sucesso estragam o cara como artista? Ou... Se você é punk rock você não quer ter um hit?" E eu respondo, sei lá, eu respondo: "Foda-se". É como se eles só fizessem seu trabalho por causa das pessoas e quanto mais pessoas você alcançasse mais maravilhoso fosse. Você não faz seu trabalho e aí pensa "nossa, eu só quero que gente 'cool' leia isso". Você sabe que você quer que todos sejam transportados ou de repente inspirados por isso.

Quando eu era muito nova William Burroughs me disse - eu estava me esforçando muito e a gente nunca tinha dinheiro - e o conselho que William me deu foi construa um bom nome e o mantenha limpo. Não faça compromissos. Não se preocupe em fazer um monte de dinheiro ou em ser famosa. Se preocupe em fazer um bom trabalho, fazer as escolhas certas e proteger os eu trabalho. E se você construir um bom nome, eventualmente você sabe que esse nome vai ter seu próprio valor. Eu me lembro que quando ele me falou isso eu disse "Ok, mas William, meu nome é Smith*, você sabe..." (só brincando!).

Ser um artista, na verdade ser humano, nos tempos de hoje é muito difícil. Você tem que passar pela vida desejando, tentando se manter saudável, sendo tão feliz quanto poderia e fazendo que você quer fazer. Se o que você quer é ter filhos, se o que você quer é ser camelô... Se o que você quiser for viver na floresta ou tentar salvar o meio ambiente... Ou talvez o que você queira seja escrever roteiros de programas de Detetive. Isso não importa, sabe? O que importa é saber o que você quer, persistir e entender que vai ser difícil. Porque a vida é muito difícil. Você vai perder as pessoas que ama, você vai sofrer de coração partido, ás vezes você vai adoecer, ás vezes você vai ter uma dor de dente de matar. Às vezes você vai sentir fome, mas por outro lado, você vai ter as mais bonitas experiências. 

Às vezes somente o céu, às vezes uma parte da sua obra que você realiza e parece tão maravilhoso. Ou você vai encontrar alguém para amar., ou os seus filhos... Existem coisas lindas na vida, então quando você está sofrendo isso é só parte do pacote. Observe: A gente nasce e a gente também tem que morrer. A gente sabe disso. Então faz sentido que a gente vá ser muito feliz e que as coisas também vão dar muito errado. Apenas siga isso, é como uma montanha-russa, nunca vai ser perfeito. Vão existir momentos perfeitos e momentos árduos, mas todos valem a pena. Acredite em mim, eu acho que é por aí.

Sabe, tenho certeza de que cada geração vai dizer que o seu tempo foi o melhor e o pior de todos. Mas eu acho que agora nós estamos vivendo algo diferente, algo nunca visto. É um tempo pioneiro porque não teve outro momento na história como agora. E é isso que faz dele único, não porque temos artistas renascentistas, mas é único porque é um tempo onde a tecnologia de fato democratizou a liberdade de expressão. Ao invés de um punhado de pessoas fazendo suas próprias gravações ou escrevendo suas próprias canções, todos podem escrevê-las. Qualquer um pode postar um poema na internet e ter pessoas para lê-lo. Todos têm acesso e contato com coisas que nunca tiveram anteriormente. Há possibilidades para uma greve mundial, há possibilidades de derrubar corporações e governos que pensam que comandam o mundo, porque nós podemos unir as pessoas através da tecnologia. 

Nós ainda estamos entendendo isso e descobrindo qual é o poder que temos, mas ainda assim as pessoas tem mais poder que nunca. Eu acredito que que atualmente nós estamos passando por um tipo de adolescência dolorosa. De novo, o que faremos com essa tecnologia? O que é que vamos fazer com o nosso mundo? Quem somos nós? Mas isso também é excitante. Você sabe, todos os jovens, atualmente as novas gerações, eles são pioneiros nesse novo tempo. Então, eu digo: Se mantenha firme, tente se divertir, mas se mantenha limpo, se mantenha saudável porque vocês sabem que tem um monte de desafios pela frente. E sejam felizes.

*Smith é um sobrenome comum nos Estados Unidos, como Silva.

Assista aqui ao vídeo original:

domingo, 25 de maio de 2014

Memória cheia


Sigo lendo meu livro como o programado para a noite. De repente as letras se desfazem, quando me dou conta estou no meio da página e tudo que fiz foi pensar em você até chegar ali. Volto a o início. Me concentro nas duas ou três primeiras linhas, mas lá vem você de novo na minha cabeça. É uma luta quase interminável. Queria saber como leem os apaixonados, quando estudam, que gosto tem a comida que comem e qual a lição que tiram dos filmes que assistem. Na memória foi tudo substituído por lembranças suas. E quando os versos se assemelham ao sentimento é hora de converter em mensagem para ti. Vontade de ligar, ler em voz alta o trecho do livro que trouxe você à memória, aliás o trecho de você que trouxe memória ao livro. Não ligo, mas checo o celular em busca de notícias suas, na ausência tento voltar a leitura e lá se vai a atenção novamente, de novo em três linhas depois. Me forço ao apego as letras e ao esquecimento da tua imagem. Tudo em vão. Recorro as canções, aos amigos, aos sites de entretenimento, sem você tudo igual em falta de gosto, ou afeição. Parto para a escrita, uma torrente de palavras inúteis que só dão conta de dizer o que minha mente já extrapola. Quais são os riscos contidos numa mensagem de amor? 

Par de Tapas que Doeu em Mim

Nem acredito que esse dia chegou! 

Desde o lançamento do álbum solo do atá Aeroplano, em 2012 que eu esperava o lançamento desse clipe em especial. Par de Tapas que Doeu em Mim é uma verdadeira epopeia, muita confusão ao longo de dez minutos sob o plano de fundo da Rua Augusta. 

A espera valeu a pena, o vídeo com direção de Eliani Scardovelli e participação de Julia Valiengo (Trupe Chá de Boldo) ficou incrível. É muito tiro, porrada e bomba pra um casal só, check it out!